Filme na lata

 

  Impressionante como, no cinema, as noções de tempo e espaço são totalmente distorcidas. Mergulhamos numa atmosfera paralela e a vivemos intensamente, com toda nossa emoção física e mental. E não estou falando de assistir filmes, mas de fazer cinema, das filmagens, produção. Jornadas homéricas de trabalho, horas de sono reduzidas a cochilos esporádicos, esforço braçal alterofilista, alimentação limitada e concentração intelectual exaustiva. “É uma puta entrega”, como diria nosso colega Filipe. E no fim? Aquele errinho que não nos deixa dormir, agora que podemos, ou aquele imprevisto que poderia ter sido melhor resolvido. Será que fizemos as opções certas? Será que bem representamos a atmosfera que criamos e convivemos em toda essa nossa entrega? E a resposta é, provavelmente, não. Não totalmente. E é ai que está a magia do cinema.

 

  O que vemos na tela é um recorte quase infiel da magnitude daquele universo construído que ela projeta. Há muito mais nos filmes do que a captação inédita feita pelos olhos dos espectadores. Eles estão lá, passiveis à entrega física e mental, e é nessa hora que a consistência daquela atmosfera criada pelo esforço físico e mental do grupo nas filmagens (e ante) aparece, para fazer ou não cada um desses espectadores entregarem-se ao nosso suor. É a consistência do conjunto que mantém a compreensão livre e particular (“Cada um no seu Metro Quadrado, no seu Buraco Negro”).

 

  Mas todas essas questões, dúvidas e ansiedades, só serão resolvidas com o filme pronto. Como bem reproduziu nosso outro colega André, durante o brinde de conclusão das filmagens, uma frase de Suzana Amaral: “o importante é colocar o filme na lata”.

 E isso colocamos, em grande estilo.

 

 

cartaz-m2

cartaz de cena: Ana Franceschi

 

 

O curta-metragem “Metro Quadrado”, nova produção da Kana Filmes, em 16mm, acabou de ter suas filmagens concluídas, e deve ser lançado no início de 2009.

 

 

post: Gustavo 

6 Respostas para “Filme na lata

  1. foi muito legal fazer este filme.

  2. Colega?! ai é osso… antes fosse companheiro, camarada, truta…

    Foi um prazer colocar o M2 na lata!!!

    puta entrega né fuma? vai correr no ibira pra ficar em forma!!!!!

  3. Po, colega é mto mais que esses apelidos comunistas ou nomes de peixes.
    Colega, sócio, parceiro, etc.
    Não?

  4. realmente os espectadores nem imaginam o que é fazer um filme, ainda mais uma produção independente. É foda ficar ouvindo negunho falar que quer virar cineasta, idolatra Trainspoting e Kubrick, se acha o cara e ainda fica falando merda por ai… nem sabe qual é a real!!!

  5. Foda… esses dias veio um cara me dizendo “é que eu sou bom em decupar as cenas e tal”, então perguntei em quantos filmes ele havia trabalhado, e o cara me reponde “Nenhum, mas eu adoro cinema”. Demais!!! Melhor ficar na poltrona então!!!

  6. “Eu adoro cinema” é a típica frase de quem não entende porra nenhuma de nada!!!!

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