Embriagai-vos

Em época de cultura livre, mais uma colaboração.

Pela primeira vez um poema. 

 

“EMBRIAGAI-VOS

É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas – de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.

E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:

– É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.”

 

BAUDELAIRE, Charles. Pequenos poemas em prosa. Tradução de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976. 132 pp.
 

Colaboração: Daniel Moioli

4 Respostas para “Embriagai-vos

  1. A realidade é uma ilusão provocada pela falta de álcool…

  2. me dê uma cachaça…eu tô amargo demais pra beber cerveja.

  3. Tempo com letra maiúscula, ein crianças. Prestaram atenção??

  4. É a resposta que se deve ouvir quando da deilusão da vida ou do tempo que trucida o homem em seu mundo inconstante e cruel.

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